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Contratado para ajudar com gols, Moisés ainda não conseguiu convencer o torcedor

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Moisés já trabalhou com Guilherme Alves e acredita que isso pode ser um diferencial para melhorar desempenho (Foto: Fernando Torres/Paysandu)

Se o torcedor do Paysandu imagina ser o único a cobrar por gols do atacante Moisés, 32 anos, está totalmente enganado. O próprio jogador revela estar chateado pelo fato de, em 31 jogos pelo clube, ainda não ter balançado a rede uma só vez. E mais: dentro de sua própria casa, o atleta é questionado pelos familiares, entre eles o filho, que ainda não podia, até ontem pelo menos, sentir o orgulho de dizer que o pai fez gol com a camisa do Papão.

Mesmo não fazendo gols, o jogador vinha até determinado tempo dando assistência aos companheiros, principalmente a Cassiano, que se transformou no maior artilheiro do clube na temporada até aqui, mas que foi embora. O problema é que até mesmo a fonte das assistências parece ter secado.

“É o que causa maior chateação”, admite o jogador, no bate-papo a seguir. Com a chegada do técnico Guilherme Alves, por quem foi dirigido no Vila Nova-GO, clube em que fez 25 gols em três temporadas, Moisés espera se reencontrar com a camisa bicolor.

Conhecedor da maneira de trabalhar do técnico, o atacante prevê melhores dias não só para ele, mas para o time do Papão de uma maneira geral, afinal, conforme diz o jogador, o novo comandante do Papão “não abre mão de exigir intensidade do time que dirige”, o que não se vê na Curuzu atualmente.

Como você vê a chegada do Guilherme Alves, com quem você trabalhou no Vila Nova, para substituir Dado Cavalcanti no comando técnico do Paysandu?
A expectativa é grande. O Guilherme é um treinador que tem, entre as suas características, a de elevar o ânimo dos atletas que comanda. É um treinador que consegue injetar motivação, mas que também cobra muito. Ele consegue transmitir e fazer com que os atletas dele ganhem confiança. Então vivo a expectativa de que ele faça um bom trabalho aqui no Paysandu.

O torcedor pode esperar uma evolução do time com o trabalho do treinador que está chegando?
Sim, com toda a certeza. Essa evolução deve acontecer até mesmo pelo fato de alguns jogadores que não estavam sendo utilizados passem a ganhar mais estímulo, mais motivação. É claro que isso também faz parte do futebol. Sabemos que com a chegada do Guilherme, como ele mesmo afirmou, a gente começa do zero novamente, como foi lá no começo da Série B, quando estivemos muito bem.

E você, particularmente, ganha uma injeção de ânimo, uma motivação maior?
Ganho, sim. Guilherme é um cara que deposita bastante confiança em mim, no meu futebol. Não que o outro treinador, o Dado, não tivesse confiança. Não é isso. Não posso falar que a culpa era do ex-técnico, mas eu principalmente tenho um ânimo maior, sem dúvida, já que o Guilherme foi um cara que foi meu treinador e me fez viver muitas coisas boas sob o comando dele. Então, vou tentar fazer muitas coisas boas sob o comando dele mais uma vez. É uma forma de retribuir a confiança que ele tem no meu potencial.

Você, que já teve a experiência de trabalhar com o novo técnico, poderia falar sobre as principais características do novo comandante bicolor?
Claro. O Guilherme Alves é um treinador moderno, afinal há pouco tempo, alguns anos atrás, ele estava no lugar de cada um de nós. É um treinador exigente, que cobra bastante, sem dúvida. Nos treinamentos que ele dirige, com grande de intensidade, é muito forte, para que nos jogos aconteça aquilo que ele ministra nos treinamentos. Então, esse é, no meu modo de ver, o principal aspecto do perfil do Guilherme, a cobrança. Em momento algum, seja em que situação boa ou ruim, ele deixa com que os seus atletas se acomodem.

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O que muda na forma de trabalhar do Dado e do Guilherme, você que teve a experiência de ser comandado por ambos?
Acredito que essa mudança é muito grande. Se não chega a 100%, ela deve ser de 90%. O Guilherme Alves, como falei antes, é um técnico que está todo tempo em cima, cobrando aplicação nos treinamentos e nos 90 minutos dos jogos. Não que o Dado Cavalcanti não tenha as suas qualidades. Não é isso. Infelizmente o trabalho do ex-treinador não deu certo, mas não deixa de ter o seu valor. Agora, precisamos virar a página.

O fato da estreia do novo técnico acontecer fora de Belém, sem a pressão do torcedor, que cobra a reabilitação da equipe, é bom, ruim ou não existe diferença?
Acho que isso é irrelevante, tanto faz. É claro que jogar com a torcida ao lado é melhor, só que nós jogadores fizemos com que o torcedor passasse a ficar um pouco distante, em função dos resultados ruins. Essa situação é por culpa nossa, dos jogadores. Sabemos disso. Mas agora que vamos jogar fora, precisamos vencer para que o torcedor volte a lotar o estádio, com muita confiança, ainda mais que temos dois jogos seguidos dentro de casa.

Pra você, um goleador, estar num clube pelo qual já disputou 31 partidas sem fazer um só gol deve ser uma coisa que chateia muito, correto?
Chateia sim, com certeza. O pior é que o que causa mais chateação é o fato de que eu vinha participando de muitas jogadas de gol, dando assistências e isso me tranquilizava um pouco e agora estou distante até dessas assistências. Isso me deixa ainda mais chateado. Mas quando estou chateado, o que faço é trabalhar e me cobrar ainda mais. Estou fazendo isso. Espero que com a chegada do Guilherme eu possa reencontrar o gol e ajudar nas assistências também. Essa participação nos gols, independentemente de fazê-los, é muito importante também.

Com a saída do Cassiano e a chegada do Guilherme Alves, que conhece bem o seu estilo de jogar, você pretende passar de “garçom” a “cliente”, digo, goleador?
Tomara. Espero que isso aconteça. O Cassiano vivia um grande momento e a prova disso foi a ida dele para o futebol do exterior. Ele até me mandou mensagens agradecendo pelas assistências que recebeu de mim. Mas espero que mesmo não sendo com gols, que eu possa ajudar o time a conseguir as vitórias de uma outra forma. Se for com gols, claro, é melhor, mas o fundamental é que a gente consiga encontrar os resultados que precisamos.

Existe a sua própria cobrança, a do treinador, dos companheiros, do torcedor, enfim, de todo mundo. E em casa, há também alguma cobrança da família?
A cobrança maior é da família. Os meus pais, os meus filhos, que já viveram coisas boas comigo no futebol, com gols, fazem essa cobrança. O meu filho, por exemplo, chega comigo e pergunta pelos gols. Ele diz ‘chego na escola e quero falar para os meus colegas que o senhor fez gols’. Às vezes, a gente se sente um pouco chateado. É claro que a gente sente também a cobrança do torcedor, que é o maior patrimônio do clube, ainda mais aqui no Paysandu, onde a torcida é muito grande. A cobrança em família acontece de outra maneira, por ela saber que tenho potencial, pois já mostrei isso em outros clubes por onde passei.

O que o torcedor do Paysandu pode esperar de mudança do time do Dado para a equipe do Guilherme?
A intensidade que o Guilherme exige do grupo que comanda. Ele não pede. Ele exige que o time jogue com intensidade. Disso ele não abre mão em momento algum. Foi assim lá no Vila Nova e tenho absoluta certeza de que será repetido aqui no Paysandu, pois a maneira dele trabalhar não mudou em nada. Ele continua sendo o mesmo Guilherme.

(Nildo Lima/Diário do Pará)

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